Todos os dias eu salvo vidas.
Encaro o olhar de desespero, e indico o caminho.
Vou até onde meu conhecimento deixa, atrás da trajetória que tornará aquele problema – tão pequeno em relação a todos os outros no mundo, mas tão grande para quem me pede ajuda – um pouco mais palpável.
Sofro quando não há solução fácil, rápida. Indolor.
Todos os dias eu salvo vidas.
De quem não sabe nem por onde começar.
De quem não sabe nem direito com o que de fato eu trabalho, mas sabe que em mim, a ajuda existe.
Todos os dias eu salvo vidas.
E recebo de volta os sorrisos mais sinceros, os agradecimentos mais chorosos.
E presencio a gratidão humana se manifestando nos pequenos atos.
Pois ser o responsável por abrir o caminho do conhecimento a quem busca por ele, é privilégio de poucos.
Todos os dias eu salvo vidas, sendo bibliotecária.

