Hoje, vamos divulgar a experiência da Priscila Sena, 33 anos, bibliotecária pela Universidade Federal de Mato Grosso, doutoranda e mestra em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, na Universidade Federal de Santa Catarina, em participar do World Library and Information Congress – 85th IFLA General Conference and Assembly (WLIC 85th IFLA 2019), em Atenas, na Grécia, o maior evento da área de Biblioteconomia!
“Para abordar minha experiência em participar do World Library and Information Congress – 85th IFLA General Conference and Assembly (WLIC 85th IFLA 2019), em Atenas, na Grécia, o maior evento da área de Biblioteconomia, volto um pouquinho na minha história. Pois acredito que assim conseguirei contextualizar o significado desta participação para quem ler este relato.
Sou Priscila Sena, 33 anos, mato-grossense de uma cidade chamada Rondonópolis, bibliotecária pela Universidade Federal de Mato Grosso, doutoranda e mestra em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, na Universidade Federal de Santa Catarina.
Tive a honra de ser concebida e educada em uma família humilde, por pais, que embora sem ensino superior me ensinaram o encantamento pela arte e leitura. Minha mãe me apresentou meus primeiros livrinhos, e meu pai as notas musicais e a liberdade de sonhar e criar.
Porém, mesmo com toda essa base, o progresso de uma pessoa que nasce em uma família humilde quase sempre não é um conto de fadas. E a minha história nesse sentido não é diferente de tantas outras que ouvimos e temos contato diariamente.
Mesmo assim, acredito que recobrar nossas origens nos ajuda a manter viva em nós a chama que nos levou a lutar por nossos sonhos e objetivos. Ao menos para mim isso tem dado certo.
Toda a minha educação e formação foram em instituições públicas, por isso eu creio nessas instituições, creio nos profissionais que nelas atuam, creio que merecem ser respeitadas, pois se sou o que sou e estou onde estou profissionalmente é decorrência das oportunidades que recebi dentro e através delas.
Neste ponto, saltarei alguns capítulos da minha formação para chegar ao doutorado. Entrei no doutorado no ano de 2016 com a orientação da professora Ursula Blattmann, e ainda me lembro como se fosse hoje a felicidade e emoção que senti ao iniciar essa etapa da minha vida. Então em 2018 foi o ano que resolvi me candidatar a uma bolsa de estudos do Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Fui contemplada, e em setembro de 2018 me mudei para Madrid, Espanha, para iniciarum período de um ano de estudos na Universidad Carlos III de Madrid, sob a tutoria do professor doutor José Antonio Moreiro González.
Mas desde que iniciei o doutorado e por consequência o período sanduíche, carregava uma enorme inquietude que acredito que seguirá comigo por toda a vida, como ser docente e pesquisadora conectada com as necessidades dos meus colegas e da sociedade como um todo. Embora acredite que ainda não tenho uma resposta exata, e talvez jamais terei, penso que o quê tem feito sentido para manter-me conectada é participar dos eventos acadêmicos e profissionais, da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação, e correlatas quando possível.
Esse exercício tem contribuído para manter acesa em mim a chama da importância do pesquisar, ensinar, compartilhar, e aprender a partir da junção de teoria e prática. Foi essa chama que me vez ambicionar e lutar para participar do maior e mais famoso congresso da área de Biblioteconomia. Assim entre os dias 24 e 30 de agosto de 2019 eu tive o prazer e a honra de participar do WLIC 85th IFLA 2019. Essa participação foi muito além do que eu havia sonhado, pois além de espectadora, também apresentei dois trabalhos, um poster intitulado Una tesis llevada a la práctica: innovación y creatividad en la Red de Bibliotecas Escolares y Comunitarias de Florianópolis em parceria a professora Ursula Blattmann e com o professor José Antonio Moreiro González; e o artigo Prácticas de innovación abierta para impulsar propuestas novedosas em bibliotecas com as professoras Ana Clara Cândido e Ursula Blattmann, e com o professor José Antonio Moreiro González.
E sobre minha participação como expositora de dois trabalhos posso dizer que tive alguns temores, principalmente do quesito idioma, já que mesmo o espanhol (idioma que na época do evento já possuía um certo domínio, por estar vivendo há quase um ano na Espanha) sendo um dos idiomas oficiais, o inglês é o mais falado em todo o mundo, ou seja, o idioma que te liga aos diferentes continentes. Mas esse temor foi o primeiro que se dissipou, pois ao adentrar o congresso o que vi foram profissionais com anseio de compartilhar e aprender uns com os outros, e isso foi realmente lindo.
Bem, penso que é válido detalhar um pouco mais sobre minhas participações. Primeiro abordo a exposição do meu poster. A meu ver ficou bom, mas longe de excelente, e talvez uma das minhas maiores falhas foi tê-lo confeccionado em espanhol, pois embora um dos idiomas oficiais, como mencionei, acabei limitando a disseminação do meu trabalho, uma vez que o restringi somente a um grupo específico de falantes desse idioma. Se eu me frustrei ao perceber isso? Lógico que não, pois para mim as falhas muitas vezes nos ensinam mais que os acertos. E ao compartilhar com quem lê este relato, creio que servirá de alerta para aqueles que desejam participar de um evento internacional.
Quanto a exposição oral do segundo trabalho, apresentado na Sessão Aberta América Latina e Caribe (IFLA LAC) que teve como temática Inovação em tempos de mudança, disponível no YouTube, acredito que consegui atender de forma positiva ao que é exigido em uma apresentação desse tipo. Mas isso, deve-se unicamente a muito treino. Foram dadas algumas diretrizes aos expositores, e eu tentei seguir tudo à risca, e principalmente busquei manter-me rigorosa ao tempo delimitado. Assim ocorreu, e para quem tem curiosidade em saber como foi, basta assistir dos minutos 50:35 ao 1:00:08, no link YouTube mencionado.
Outro ponto que me chamou a atenção foram as práticas relatadas nos trabalhos compartilhados, porque muitas vezes pensa-se que para compartilhar uma experiência é necessário que esta seja grandiosa, e o que vi na maioria dos trabalhos foram compartilhamentos de práticas simples, mas que causaram impacto positivos localmente.
Quanto aos custos para participar do congresso, esses são altos mesmo, no entanto, penso que é válido compartilhar que para participar dos congressos da IFLA existem algumas bolsas de incentivo ofertadas por organizações apoiadoras. Assim, aconselho aos colegas interessados a estarem atentos às informações divulgadas nos sites dos congressos, por exemplo acompanharem a página do próximo que irá ocorrer em Dublin, na Irlanda.
Aos colegas que ainda não se sentem seguros ou não conseguirem, ou ainda não desejarem ir ao um congresso da WLIC IFLA, talvez seja interessante participar dos nossos eventos nacionais (Por exemplo: Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação – CBBD, da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições – FEBAB) e locais (Por exemplo: Painel Biblioteconomia em Santa Catarina, da Associação Catarinense de Bibliotecários – ACB), pois em minha opinião, creio que o compartilhar soma forças ao todo, e por consequência nos fortalece também como profissionais da Biblioteconomia em nossas singularidades.
Se buscarem conhecer iniciativas de sucesso e impacto global, verificarão que estas iniciaram com pequenas ações, por isso acredite em seu trabalho e no quanto ele pode se tornar grande por meio do compartilhamento. Assim, convido a cada pessoa que chegar até aqui na leitura deste relato, a compartilhar de alguma forma suas experiências e somar esforços à Biblioteconomia que pensa, faz e dissemina em prol da sociedade.”
Por fim, nós, do Santa Biblioteconomia, gostaríamos de agradecer a Priscila por compartilhar essa incrível experiência com a gente! Obrigada pelo carinho e atenção ;D