Experiências Fantásticas – Com Ana Virginia

Hoje, vamos divulgar a experiência da Ana Virginia, bibliotecária que ganhou uma bolsa de estágio internacional em 2019! Esperamos que esse relato inspire muitos colegas da área!

4 º Estágio Internacional Iberbibliotecas- 2019
Tema: Bibliotecas geradoras de cultura de paz
Local: Costa Rica de 03 a 09 de novembro de 2019-12-08


Oi pessoas lindas, meu nome é Ana Virginia, sou Bibliotecária graduada na Universidade Federal do Ceará, atualmente servidora da Prefeitura Municipal de São Paulo, lotada na Biblioteca Mário de Andrade. 

Fiquei muito feliz de ter sido convidada pela Santa Biblioteconomia para relatar sobre a minha experiência no 4º Estagio Internacional do Iberbibliotecas, promovido este ano pelo Sistema Nacional de Bibliotecas da Costa Rica, órgão ligado ao Ministério da Cultura e Juventude do País. 

Então, este concurso é aberto anualmente em meados de abril a agosto de cada ano – é preciso estar atento no site (http://www.iberbibliotecas.org/estagios/) o período de  inscrições. 

Neste ano de 2019, o concurso foi apresentado com o Tema: Bibliotecas Geradoras de Cultura de Paz, a seleção consistia em escolher 24 projetos, de 12 países e  de profissionais bibliotecários que atuam em bibliotecas públicas, comunitárias ou bibliotecas populares. 

O projeto necessitava (neste edital) ser por um período mínimo de seis  meses de execução, estar relacionado a temática apresentada no edital, além de  ter ciência e apoio da maior chefia da biblioteca e outras exigências que podem ser conferidas no edital. 

Sendo bibliotecária da Biblioteca Mário de Andrade, biblioteca pública que fica no centro de São Paulo, local com  grande concentração de pessoas em situação de rua; eu imaginei que poderia realizar um projeto que já vinha pensando desde que cheguei na capital (há mais ou menos um ano e meio) pois a quantidade de pessoas nessa situação é gritante e “eles” – pessoas em situação de rua, que se concentram na biblioteca e no entorno da praça em que a biblioteca esta localizada também necessitam de acolhimento e atenção,  trazendo para a biblioteca pública a responsabilidade também desta tarefa. 

Dessa maneira, escrevi o projeto: Desenvolvendo competência informacional para a vida: dignidade, respeito, afeto, amor  para pessoas em situação de rua no entorno da Biblioteca Mário de Andrade – BMA através da mediação de leitura, o projeto  têm como objetivo  desenvolver uma agenda de mediação de leitura voltada para este público uma vez por mês nos espaços da biblioteca. 

O projeto almeja ainda, atingir pessoas em situação de rua ao longo do seu percurso se utilizando da mediação de leitura com temas transversais: racismo, violência, homofobia etc.,  para desenvolvimento de competência informacional, através de atividades em grupo.

Para minha surpresa  e alegria o meu projeto foi selecionado, a partir daí foi feito contato pelo Iberbibliotecas que organizou toda a logística da minha viagem para a Costa Rica. 

O estágio aconteceu do dia 03 a 09 de novembro de 2019, e as despesas foram todas custeadas pelo Iberbibliotecas e Ministério da Cultura e Juventude da Costa Rica. 

Sobre o estágio em si, chegamos na Costa Rica no dia 03 de novembro, na mesma noite tivemos um jantar de recepção e integração com os outros bibliotecários selecionados. 

O estágio tinha uma agenda bem elaborada e organizada, visitamos ao todo cinco cidades da Costa Rica, conhecendo e participando de atividades nos Centros Cívicos Pela Paz do País. 

Conhecemos os Centros Cívicos pela Paz de Santa Cruz, Gabarito, Guarari- Heredia, Parque da Liberdade em San José e Centro Cívico de Cartago. 

Os Centros são espaços maravilhosos de cultura, leitura, integração e educação, além de acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade. Os centros foram construídos em regiões com maiores índices de violência e condição de pobreza. Os centros atuam de forma estatal e procuram promover o maior aporte de atividades possíveis para a população, tendo a biblioteca como base e todas as atividades são gratuitas. Importante salientar, que a Costa Rica se orgulha de não possuir exercito, ter mais professores que policiais e ser um dos países mais seguros do mundo.  

Durante o estágio, foi possível participar de algumas oficinas oferecidas a população, a exemplo: 

  1.  Yogateca – oficina que faz contação de história de contos hindu sobre a história da Yoga, na ocasião, alguns contos citam posições, que o participante ao ouvir, necessita fazer a posição no decorrer da contação. Antes foi feito um jogo da Yoga, que se compra em lojas de brinquedo, segundo a facilitadora, que é bibliotecária. 

  1. Oficina Baila com o livro:  a atividade consiste em realizar a contação de uma história, depois divide-se os participantes em grupo que necessitam criar uma coreografia com os parágrafos da história. A facilitadora divide os parágrafos por grupo e ao final todos dançam a história de acordo com a coreografia criada pelos participantes. 

  1. Oficina de escrita criativa- a facilitadora – bibliotecária apresenta uma música de fundo (clássica), é feito um relato sobre a música, compositor, estilo, etc, depois, os participantes necessitam criar uma história, conto, poema ou um texto qualquer com as palavras que a facilitadora for falando durante a audição da música. Tudo que for escrito é levado em consideração, observando a realidade do participante dentre outros aspectos. Esta oficina também foi feita com a pintura! 

As atividades foram muitas e intensas, foi uma semana, acordando as 5h da manhã e indo dormir as 23h; eu precisaria de páginas e páginas para relatar.  

Além disso, tivemos as apresentações  dos projetos dos outros bibliotecários selecionados, que eu quero destacar dois (não desmerecendo os outros projetos): 1) Projeto Guarde a Esperança do bibliotecário Gustavo da Colombia, em que as crianças usuárias da biblioteca comunitária escrevem cartas  com mensagens de esperança para presidiários e o 2) Projeto Arquivo “Nómada”, onde o arquivo da cidade de Valparaiso têm um trailler que percorre os bairros, alfabetizando idosos, pessoas em situação de rua,crianças dentre outros, através dos materiais informacionais  do arquivo: fotos, cartas, calendários etc.

Todos os bibliotecários selecionados são profissionais muito competentes e brilhantes nas suas atividades! 

Foi um momento de acreditar na Biblioteconomia, saber que além de profissionais somos humanos e podemos sim, acreditar na biblioteconomia social, acreditar que a leitura, o estudo e  os livros podem transformar pessoas e mudar vidas. 

Posso afirmar que voltei mais feliz e amando cada dia mais a profissão que escolhi para a minha vida! Sejamos Bibliotecários com orgulho e muito amor! 

 

       

           

 

2 comentários em “Experiências Fantásticas – Com Ana Virginia”

  1. Luiz Carlos Silveira de Sousa

    Que experiência rica! A Biblioteconomia Social parece ter sido feita pra você depois que lemos esse seu relato cheio de entusiasmo. A sua sensibilidade em desenvolver um trabalho na Biblioteca Mário de Andrade dessa magnitude deve também ter deixado os participantes do evento maravilhados. Parabéns e avante!

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