MINHA NADA MOLE VIDA… ACADÊMICA!

Alguns de vocês já sabem que tanto eu quanto a Thalita Gama estamos matriculadas em cursos de mestrado acadêmico (Eu em Ciência da Informação na UFSCar, ela em Memória Social na UniRio). É, nossas coincidências não se limitam ao nome, graduação, time de futebol, local de nascimento… Também estamos juntas nessa luta! Hehehe! E como coincidência pouca é bobagem, nós duas continuamos trabalhando normalmente nesse período. E com o Santa, também!

A nada mole vida começou lá na seleção, mas como ainda não era vida acadêmica isso vai ficar pra um outro post. Durante os dois primeiros semestres (em 2018) eu viajei 12 vezes para São Carlos. Entre viagens de lazer, estudo, trabalho e participação e evento foram 22 vezes em que eu deixei minha casa! Houve períodos em que eu entrava em casa, tirava a necessaire de uma mala, colocava em outra que já estava prontinha, tomava um banho e saía novamente para o aeroporto. Não foi fácil, não.

Ao longo de 2019 eu tive a experiência de trabalhar remotamente para o Supremo Tribunal Federal (onde atuo como bibliotecária), e acreditei que isso fosse facilitar um pouco a minha vida com relação ao mestrado. De fato, por um tempo facilitou mesmo. Mas conduzir a pesquisa enquanto trabalhava não foi suave. Não mesmo. No fim do ano, acabei adoecendo gravemente.

Eu contava com uma licença para capacitação (de 3 meses) para concluir minha pesquisa com calma, e para tentar cuidar da minha saúde. Mas não rolou. Não vou entrar no mérito dessa questão porque é um assunto que me dói muito. Enfim. A essa altura do campeonato eu contava com crises de pânico, depressão e ansiedade, configurando um quadro de reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação, e transtorno misto de ansiedade. Trabalhar era impossível, estudar era impraticável. Fiquei quase 2 meses nessa dinâmica errada aí, porque depois de ter diagnóstico vieram os remédios e seus efeitos colaterais (crises de enxaqueca, inapetência, enjoo, vômito, diarreia, perda de vocabulário, letargia e pressão baixa).

Retornei às minhas atividades presencialmente no STF, consegui voltar a estudar e pedi uma prorrogação de prazo para a defesa da minha dissertação (Oremos! Vai dar bom!). Mas pensei inúmeras vezes em desistir… Sei que abri mão de muitas, muitas coisas que amo fazer (minhas aulas de música, grupo vocal, saída com os amigos e família, e – pasmem! – viagens!!!!). Mas vai compensar. Porque eu sei o que eu quero com esse mestrado e com a minha pesquisa e em breve poderei falar sobre ela aqui e nas redes sociais do Santa, também.

Nesse período eu tive que aprender algumas coisas sobre mim para que o trabalho e o mestrado pudessem caminhar sem prejudicar um ao outro, nem os dois a mim. Algumas dessas coisas são bem bizarras, mas achei interessante registrar… Vai que ajudar alguém, né?

  • Trabalhando em casa eu preciso da televisão ligada. Pode ser qualquer canal, qualquer programa, mas eu preciso daquele barulho de televisão. Me ajuda a concentrar.
  • Eu amo trabalhar ouvindo podcasts, mas pra mim é impossível estudar ouvindo podcast. Tem que ser a televisão, nessas horas.
  • Eu estudo bem na rua, mas não consigo trabalhar em qualquer lugar. Precisei de alguns escritórios provisórios, mas tinha muita dificuldade de trabalhar durante minhas viagens a São Carlos, por exemplo.
  • Meu computador desktop é meu refúgio, em casa eu não uso o notebook pra nada. E como eu acabei me dividindo em 3 computadores (Trabalho, Casa e Notebook), precisei aprender a usar ferramentas de armazenamento em nuvem para absolutamente tudo. Não tenho NADA mais nos computadores. O ruim é que tem que ter SEMPRE internet.
  • Como tem que ter sempre internet, eu aprendi a fazer uma “redinha uai, faz” com o celular. Nem que fosse só pra baixar os arquivos necessários para aquela atividade específica.
  • Café, chá mate: SIIIIIIIIIIIIM. Mas só até as 15:00. Depois desse horário eles ferram meu sono. É melhor optar por outros chás.
  • Eu preciso muito de cadernos e canetas para organizar minhas atividades e pensamentos. Foram inúmeros ao longo dos últimos 2 anos.
  • Eu amo ler textos técnicos. Eu achava que não curtia, mas descobri que é a minha etapa favorita do estudo!
  • Viajar só é bom quando é de férias. E olhe lá! Eu viajei 22 vezes em 2018, 14 vezes em 2019. Esse ano eu já viajei duas, e estamos no início de março e eu com 4 viagens marcadas, já. Estar em casa, com minha cama, meu banheiro, minha gata, meu escritório e meu direito é muito bom.
  • Uma das maiores dificuldades que eu tive nas disciplinas foi reaprender a estudar: quando eu estudava pra concurso, eu só absorvia os textos. No mestrado, tive que me educar para DISCUTIR com os textos e provocar diálogos entre os autores.
  • Dificilmente um projeto que te aprova na seleção vai permanecer intocado e dar origem a sua dissertação. Eu tive a sorte de permanecer na temática que eu escolhi, mas precisei mexer muito, muito mesmo, no meu recorte de pesquisa, método, bibliografia e outros quetais.
  • Eventos de divulgação científica são muito diferentes dos eventos profissionais. Os dois são bons, mas o nível das discussões é completamente diferente. Eu não apresentei nenhum trabalho em evento científico e tenho medo de submeter, ser aprovada, apresentar e não dar conta de segurar minha onda nas discussões.
  • Eu achava que não faria amigos em São Carlos porque as disciplinas eram concentradas, e todo mundo já era amigo/conhecido por lá mesmo. Fiz amigos que levarei comigo pra sempre e que vem me apoiando muito mesmo nesse processo todo.
  • O Santa me faz falta. Eu gosto de escrever e produzir conteúdo e sinto que nos últimos anos (em especial nos últimos meses) estive em falta com esse espaço. Espero voltar em breve a produzir conteúdos para estudo, mesmo. E que vocês ainda possam me receber de braços abertos!

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